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Dia da Consciência Negra e a falta de representatividade na nossa política.

Neste mês a “Espaço News” convidou para a capa Aline Torres para conversar sobre dois assuntos: o dia da Consciência Negra e a falta de representatividade na nossa política.

“Espaço News”: Conte um pouco de sua vida, Aline.

“Aline”: Tenho 33 anos e me formei em Relações Públicas e fiz Pós Graduação em Gestão de Projetos Culturais no CELACC-USP. Nasci e me criei em Pirituba, na zona noroeste de São Paulo. Esse ano, com o apoio de amigos me lancei candidata a deputada federal e com um trabalho pessoal, consegui angariar uma base de votos extremamente representativa, sem recursos, nem pessoas, trabalhando somente com os meus ideais. Foi uma grande alegria.

“Espaço News”: E porque você escolheu vir candidata?

“Aline”: Exatamente porque quero trazer a tona uma discussão que está esquecida, a da representatividade na política. O IBGE mesmo diz que 50,7% da população brasileira é negra mas os cargos eletivos são, na imensa maioria, ocupado por brancos. No ano de 2018 a presença de candidatos autodeclarados negros ou pardos foi de mais de 46%, um pouco a mais que 2014 e essa diferença pode ser creditada aos movimentos de inserção de negros nas mídias e na educação. A sociedade, na verdade, fica incomodada quando vê grupos até pouco tempo invisíveis começarem a reivindicar e ocupar espaços. Assim eu penso que precisamos alterar as políticas publicas de modo efetivo, tornando elas afirmativas e com foco na educação, que é a ferramenta que realmente liberta e agrega, além de manter os espaços de inserção em mídias, tirando a sequela negativa de sobre nossos negros. Uma dessas políticas, a meu ver, foi a criação do “Dia da Consciência Negra”, comemorado no dia 20 de novembro, data escolhida exatamente porque é o dia da morte de Zumbi dos Palmares, um ícone da luta contra a escravidão.

“Espaço News”: E o que pode ser feito?

“Aline”: Nossa luta é muito mais ampla, precisamos educar a sociedade para que todos entendam que só elegendo quem realmente nos representa é que poderemos cobrar mudanças efetivas, diretas e reais. A meu ver, essa discussão começa em uma reforma política, com regras taxativas na divisão do fundo eleitoral, dando um recorte étnico e de gênero e assim corrigindo esse vazio. A melhor ferramenta para isso inicia no voto distrital e evolui pela conscientização dos cidadãos sobre o seu papel na sociedade, entendendo que ele se valoriza como indivíduo quando escolhe conscientemente. Essa é nossa real batalha: saber votar para nos sentirmos todos realmente representados.

“Sem recursos, com o apoio de amigos me lancei candidata a Deputada Federal”Aline Torres

 

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